Xilogravura de Kelly Kreis Taglieber
quarta-feira, 13 de março de 2013
terça-feira, 12 de março de 2013
A Confissão de Cavaal Butor
A palavra foi
criada por guerreiros e caçadores
e é muito anterior
à ciência:
a palavra pesada
abafa o pensamento leve.
Em nenhum lugar
perguntam por Cavaal Butor, que
– sendo o chacal da
infâmia – vocifera que é privilégio dos vivos
escutar chuva nas
calhas e a música de câmara:
ver o azul de
Matisse e a noite vasta:
tocar a pele do pão
e a nudez da banhista em Cassis:
cheirar os clamores
da concha e o delírio azul marinho:
sentir na língua o
sal e o açúcar.
Cavaal Butor confessa:
eu sempre quis, antes de morrer,
ser o aroma do rum
na garrafa translúcida,
ser um porto, uma
sombra, uma moringa d'água,
ser a tranquila
contemplação do objeto natural.
Não quero perdão:
tudo o que eu quero
é não ser banquete para larvas,
tudo o que quero é
que lavas catequizem larvas,
tudo o que eu quero
é, mesmo com asa quebrada,
escapar da cova
rasa,
tudo o que eu quero
é saber que ardil devo usar
para imaginar o
novo corpo
onde se esboça a
lucilação diversa e outra música.
quarta-feira, 6 de março de 2013
A visita
Hans Magnus Enzensberger
Fotograma de Asas do desejo,
filme de Wim Wenders
Ao suspender o olhar da folha vazia,
estava o anjo no aposento.
Um anjo deveras comum,
da mais baixa hierarquia, suponho.
O senhor certamente não imagina,
disse ele, o quanto és supérfluo.
Uma única dentre quinze mil matizes
da cor azul, disse ele,
tem mais importância no mundo
do que tudo o que o senhor faça ou deixe de fazer,
certamente para não falar do feldspato
e da Grande Nuvem de Magalhães.
Até mesmo o vulgar e imperceptível aguapé
deixaria uma lacuna, o senhor não.
Vi em seus olhos claros que ele esperava
uma discussão, uma longa luta.
Eu não reagi. Esperei,
até que ele desaparecesse, em silêncio.
Tradução de Luis Carlos
Mesquita e Jayro Schmidt
segunda-feira, 4 de março de 2013
Anjo da história
Redação do blog (J.S)
Angelus novus, pintura do suíço Paul Klee, que
viveu na Alemanha entre as duas Grandes Guerras e foi professor da Bauhaus,
instituto de artes fundado pelo arquiteto Walter Gropius. A obra foi adquirida
por Walter Benjamin no próprio ateliê do artista. Após a morte de Benjamin, a
mesma foi confiada a seu amigo hebraísta Gershon Scholem, doando-a ao Museu de
Arte de Jerusalém. Benjamin foi um dos primeiros pensadores contemporâneos a
encontrar respostas filosóficas na iconografia, dentre as quais destaca-se a do
anjo de Klee.
A
angiologia é um dos temas centrais da literatura e das artes visuais do norte
europeu desde os barrocos, passando pelos românticos, simbolistas e
estendendo-se aos expressionistas. Benjamin integra-se a essa tradição com Teses da História, especificamente com a
nona tese, na qual a imagem do anjo de Klee foi transformada numa imagem
textual, que ao referenciar o passado e o futuro, situou o agora da história
entre dois mundos paralelos e antagônicos numa dialética fantástica ao permear
marxismo e messianismo. A força gerativa da nona tese tem sido fonte de muitos
estudos, e, praticamente, sintetiza o pensamento benjaminiano:
Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus.
Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara
fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas.
O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está voltado para o
passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe
única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as espalha a nossos pés.
Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os detritos. Mas uma
tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele
não pode mais fechá-las. Essa tempestade o empurra irresistivelmente para o
futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o acúmulo de ruínas cresce até o
céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Album de serigrafia (Luis Viderbost)
Divulgação
Clique na imagem abaixo para ler
Los
apuntes del Sr. Kingston – edição serigráfica de Luis Viderbost
A
edição, em forma de caixa, é composta por serigrafias a partir de desenhos com
caneta esferográfica, feitos após o trabalho durante um mês e com mínimas
condições, pois a imaginação não precisa de muitos aparatos. Os desenhos, desta
maneira, referenciam a subjetividade e lembram as imagens que surgem entre o
sono e a vigília.
Para
adquirir a edição, ou serigrafias avulsas, entre em contato com Luis Viderbost.
lhviderbost@yahoo.com.br
No sertão das palavras (Livro de Jayro Schmidt)
Divulgação
O ensaio No sertão das palavras não se amolda à forma tradicional desse gênero. Sendo experimento de linguagem, nele o leitor não encontrará a cômoda sequência textual e menos ainda a abordagem linear da obra de Guimarães Rosa: Grande sertão: veredas.
Ao experimento de nada vale a previsão, assim como ocorre nas infinitivas veredas rosianas entre o conhecido e o desconhecido: o próprio sertão que nele parodia o mundo da palavra. Nesse caso, sertão e palavra estão em toda parte e em nenhum lugar.
Ao recusar a segurança aristotélica do ensaio acadêmico, no qual tudo é previsível, monótono e coisa de especialistas, o autor rastreou chapadas e chapadões, sempre ouvindo Quelemém, Riobaldo e Diadorim.
Ao confiar na imprevisão da palavra no sertão e na imprevisão no sertão da palavra, as partes do ensaio rearticularam tempos da obra de Guimarães Rosa e formaram um panorama no sentido dado por ele ao pensar em interpretação como vôo por cima para obter o todo em cada uma de suas partes.
Cabe ao leitor reconstituir este panorama, que é, na acepção do termo, o perspícuo, o transvisto.
Para adquirir o livro, acesse o saite: http://www.letrascontemporaneas.com.br/
Bibliografia
Jayro Schmidt (1947) é artista plástico, professor de pintura e de história da arte. Realizou várias exposições individuais e participou de coletivas e salões nas principais capitais brasileiras, inclusive na Bienal Nacional de São Paulo. Além da editoração de livros artesanais e o incentivo da produção da gravura, publicou Movimentos e significados nas artes plásticas (teoria) FCC Edições, 1991; Contaminatio (poesia) Letras Contemporâneas, 1996; Vincent van Gogh – pintor das cartas (biografia) Letras Contemporâneas, 1998; A uma sombra e outros ensaios (ensaio) Bernúncia Editora, 1998; Macedonio Fernández e alguns de seus papéis (ensaio) Museu-Arquivo da Poesia Manuscrita e Universidade Estadual de Ponta Grossa, 1999; Anotações de leituras e releituras (ensaio) Bernúncia Editora, 1999; Cruz e Sousa: poeta do abismo (ensaio) Museu-Arquivo da Poesia Manuscrita e Universidade Estadual de Ponta Grossa, 2000; Massala, com Renato Tapado, (prosa poética) Bernúncia Editora, 2000; Paulo Leminski: do carvão da vida o diamante do signo (ensaio) Bernúncia Editora e Cesusc, 2006; O barco ébrio (tradução) Bernúncia Editora e Edufsc, 2006; 16 Ensaios sobre poesia, ficção e artes plásticas (ensaio) Bernúncia Editora e Oficinas de Arte, 2007; Movimentos e significados nas artes plásticas, 2ª edição (teoria) Bernúncia Editora e Agência Criação; Poesia e Ficção de Péricles Prade – semas, semantemas, logometrias, Pantemporaneo; No sertão das palavras – Leitura de Grandes Sertões: Veredas, Letras Contemporâneas, 2010.
A Filha - Down em alto astral (Livro de Carlo Manfroi)
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SINOPSE
A Filha - Down em
alto astral
Cíntia
nasceu com síndrome de down em uma
época em que se tinha pouquíssima informação sobre o assunto. Contrariando recomendações
médicas, seus pais optaram por não dar a ela pesados remédios tarja preta. Também
não mantiveram Cíntia sobre uma cama e nem escondida do convívio das pessoas.
Tabus e preconceitos foram enfrentados de frente. Paralelo a isso, a família
passou por conflitos e provas naturais, como a luta por trabalho digno, o
sustento da casa, a batalha para a compra da primeira moradia e a perda da
mesma, recaídas e surtos de Cíntia. O romance, inspirado em história real,
mantém o conflito familiar como pano de fundo e mostra como o diferente pode
viver integrado quando somos livres de preconceitos. Abre-se uma janela, uma fenda
na trama, para questionar. Afinal, o que é ser normal? E também para provar, no
sentido mais amplo, de fazer as pessoas ao seu redor experimentarem, com ela, a
felicidade de viver o que a vida nos oferece de mais belo. Sem medo. Cíntia é
uma sonhadora que realizou. Provou sensações intensas. Na escola, no trabalho,
no namoro, no casamento. Descubra-se em A Filha. Experimente a vida em alto
astral.
para adquirir o livro, acesse o saite: http://www.afilha.com.br/
JUSTIFICATIVA
A Filha - Down em
alto astral
A
Filha não é uma bandeira contra o preconceito ou a favor dos downs. Longe disso. Contando a história
de uma menina síndrome de down e
tratando isso de uma maneira coloquial, sem sensacionalismo, o livro revela que
todos têm o direito de ir atrás de seus sonhos. E de realizá-los. Em vez de ser
tratada como problemática ou um fardo, Cíntia dá o exemplo, em diversas
passagens, de como a própria família deve se portar. De como encarar os
desafios e ir em frente, na busca do que almejam. Cíntia, com down, deixa muito claro para todos o que
é importante na vida e o que não é. Por isso, essa história tem valor exemplar.
O valor de quem olha sempre para frente, sobre os muros de preconceitos,
almejando seus mais lindos sonhos até que se tornassem, um a um, na mais doce
realidade. A história de Cíntia é, sem dúvida, uma aula de vida.
CURRÍCULO DO AUTOR
Carlo Manfroi nasceu em Porto Alegre, em 1969. Publicitário,
tem habilitação em Publicidade e Propaganda pela Unisinos e é pós-graduado em Marketing Digital Interativo pela
Clear/I-Group. Redator por 22 anos tornou-se diretor de criação em Florianópolis,
cidade para o qual se mudou com a esposa e os filhos. Acumulou prêmios de Criação,
ministrou a disciplina de Redação Publicitária na Unisul – onde foi também coordenador
de curso – e atuou como professor de Pós-Graduação em Marketing Digital na Estácio de Sá. Escreve para também para sites e é sócio-fundador da agência de
conteúdo Qualé Digital. Em 2012, foi premiado na categoria poesia no Concurso
Literário Mario Quintana. A Filha é o primeiro romance do autor.
Patricia Amante (Produtos artesanais)
Divulgação
Para
quem curte encadernação, Patrícia Amante está oferecendo uma linha de blocos,
cadernetas, agendas e porta-retratos com fino acabamento, tudo feito à mão,
aliando a tradição e a modernidade – coisa rara de se ver. Você pode entrar em
contato com Patrícia por telefone ou por e-mail: (48)88286479 / 88060217 – patriciaamante@gmail.com
Labirinto (Vídeoarte)
Divulgação
Videoarte de Tirotti. Com Laércio do Amaral e Angela Bonmann. Trilha sonora de Lausivan Correa. Imagem sonora de Tirotti e Lausivan Correa.
Astheros (Cinema)
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Baseado no conto O Monge Astheros de Péricles Prade. Com Celso Frateschi e Ney Piacentini. Roteiro, direção e montagem de Ronaldo dos Anjos. Produção e assistência de direção de Isabela Hoffmann. Direção de fotografia de Pedro Ionescu. Direção de arte de Neno Brazil. Cenografia da aldeia de Rafael João Rodrigues e Luis Viderbost.
Poêmia, poesia de pele e desejos (Livro de Cynthia Lopes)
Divulgação
Para adquirir o livro Poêmia, poesia de pele e desejos, entre em contato com cynthiaaguiar@gmail.com
Cynthia é Carioca, formada em Arquivologia pela UNIRIO, participou das Antologias Poetas de Manguinhos II. Rio: Associação dos Servidores da Fiocruz, 2006; Antologias de Poetas Brasileiros Contemporâneos de 2007 a 2009 – Câmara Brasileira de Jovens Escritores; Os Mais Belos Poemas de Amor, em 2007 e 2009. Sensualidade em Prosa & Verso, de 2009. Panorama Literário Brasileiro – As Melhores Poesias de 2008 e As Melhores Poesias de 2009; XXI Poetas de Hoje em Dia(nte), Editora Letras Contemporâneas, 2009; Simbiose, 2010 - CBJE; Hiper Crônica & Conto, 2010, Editora Personal; Agendas da Tribo em 2010 e 2011; Agenda Literária Cidade 2011, Literacidade Ed. 2010.
UM MAR DE POESIA
Cairo Trindade
Cynthia Lopes é uma mulher doce no dia a dia e na poesia. E conserva a menina viva, no mundo e em seus versos. Mas vai além: investe um olhar bem humorado sobre certas realidades, certa crítica sobre as injustiças entre os homens e certa malícia quando trata de amor e sexo. Tudo com requinte, delicadeza, frescor.
Se existe pessoa do bem, a poesia de Cynthia Lopes é a poesia do bem.
Poêmia é um livro para ler saboreando. A cada verso, a cada poema, a cada página.
Ao final, então, o leitor vai atingir o prazer.
Rio, Capital da Poesia
Primavera de 2012
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