sábado, 15 de junho de 2013

JAMES JOYCE – BLOOMSDAY

Da Redação




No dia 16 de junho de 1904 transcorre a ficção Ulysses, do irlandês James Joyce. Desde que foi publicado, em 1922, o livro provocou reações, e continua provocando, das mais medíocres às mais inteligentes, tendo estudos importantes nas academias e fora delas. Apesar de ser uma obra das mais comentadas, é pouco lida por não se acomodar aos hábitos literários, mas isso não quer dizer que o livro seja ilegível. Pelo contrário. Apenas atenta contra os hábitos de leitura e constituiu, na sua estrutura narrativa, uma revolução copernicana. Além de experimentar todas as formas narrativas tendo como centro irradiador o criador do humano, Shakespeare, Joyce remontou a narrativa primeira, a de Homero, justamente a Odisseia, à qual o nascimento da filosofia grega deve o seu sumo, a essência espiritual.

Ulysses – com seus insubstituíveis Leopold Bloom (Ulisses), Stephen Dedalus (Telêmaco), e Marion Molly (Penélope), personagens da Odisseia – notabilizou o autor e angariou uma voz crítica em nome do povo irlandês tripudiado pelo reino arrogante inglês. Por isso, o 16 de junho é feriado na Irlanda e, em muitos países, também é comemorado como Bloomsday, o dia escolhido por Joyce para situar sua obra que não deixará de desafiar as próximas gerações.

Por que 16 de junho de 1904? Segundo Joyce porque foi o dia em que fez amor pela primeira vez com quem teve a boa sorte de conhecer, Nora Barnacle. Dizem as más-línguas que ele apenas com ela passeou de mãos dadas em Dublin, cenário de Ulysses. Bem, se ele de fato fez isso, suas mãos devem ter ido mais longe como fazem os corações sinceros. Joyce e Nora viveram a vida inteira de mãos dadas.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

CONVITE DO MASC

Divulgação

"Faz Sentido", exposição coletiva com vários artistas no Museu de Arte de Santa Catarina.


MASC
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88025-202 - Florianópolis/SC
Fones: (48) 3953-2319 / (48) 3953-2380
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segunda-feira, 10 de junho de 2013

A SORTE DE UM INSTANTE

Por Jayro Schmidt


Água-forte de Marcelo Grassmann, detalhe


Alguns anos atrás fui surpreendido por uma mulher que não conhecia, que ao telefone me disse sobre uma pintura que adquiriu e que a imagem estava desaparecendo.
Nunca havia passado por isso, e, por expectativa acerca do que aconteceu, perguntei a ela se a pintura esteve exposta a algum acidente, dizendo-me que a mesma ficou no apartamento do qual esteve ausente por cinco anos.
Logo entendi o que poderia ter acontecido e pedi a ela que trouxesse o quadro para verificá-lo tecnicamente.
De fato, a imagem havia perdido a força, velada pelo tempo com a falta de luz. Expliquei a ela estes detalhes e me comprometi em resolver a situação porque logo observei que a tela estava intacta, sem a ação de umidade, e que seria fácil resgatar a imagem.
Uma amiga restauradora fez a limpeza paciente e foi bonito ver outra vez o brilho da tinta a óleo e o que estava ali, e ainda está, a relação de dois mundos que são aparentemente antagônicos.
Acredito que tenha sido isso – a conciliação do aquém e do além na pintura – que fez a mulher adquiri-la e querer tê-la reanimada. Isso confirmei ao vê-la, jovem ainda, mas com uma velatura sobre o rosto que ao mesmo tempo lhe dava uma expressão de criança e de anciã.
Depois de alguns dias, ao chegar ao trabalho, um grande envelope feito à mão me aguardava e com um recado de agradecimento que, sem dúvida, a mulher escreveu no ato por não ter me encontrado.
Ao ver o que continha, fui arrebatado por uma imagem de um gravador que já conhecia, Marcelo Grassmann, e mais arrebatado ainda quando vi, na cabeça com o elmo da gravura, um caranguejo que gravou a traço – o meu signo.
Agradeci por telefone o presente tão nobre e nunca mais tive a oportunidade de revê-la. A gravura posso vê-la o tempo todo, e mesmo não a tendo no campo de visão, continuo com sua imagem como se fosse um talismã.
De fato um talismã como é toda a obra de Grassmann, de velaturas na técnica e, sobretudo, nas imagens em si, anímicas, e que chegam até nós através de um fundo invisível, do outro do mundo como diria Blanchot, imagens que nos velam como velam os animais que também estão em sua obra.
Não são imagens do outro mundo, mas do nosso, do outro nosso mundo subliminar esquecido. A obra gravada e desenhada de Grassmann tem o dom de dizer o que os mestres podem dizer: não há nada superior ao silêncio.
Durante esses comentários ao sabor da memória, me perguntei se a mulher não adquiriu a gravura de Grassmann pelo mesmo motivo que adquiriu a minha pintura que, comparada com a sua gravura, é apenas o pálido reflexo do que vou dizer: apesar de tão diferentes quanto às imagens, no entanto têm algo em comum na sondagem de um lugar onde habitam os guias, os indícios e os sinais.
Assim vejo a obra de Grassmann e assim quis transmitir a ele a sorte de um instante.


ELKE SIEDLER

Da redação






Corpo que descorpora o habitual e volta a incorporar extremos relacionais da dança contemporânea, ela que esteve no Cena 11, em cena individual continua gótica e irada com seus cabelos de fogo.


AZUL PROFUNDO

Pintura de Terezinha Dias




NÚCLEO DA GRAFIA

Gravura em metal de Helena Maria Werner




Dentre os artistas e as artistas que se voltam para a gravura, Helena Maria Werner demonstra que tem cada vez mais encontrado a linguagem específica e múltipla dessa técnica, gráfica por excelência e que, apesar de proceder do desenho, tem particularidades que dependem das matrizes, dos instrumentos e de fatores não menos importantes como a escolha das cores e dos papéis de impressão. Mesmo assim, uma gravura não se reduz à técnica, sendo, em seu resultado final, a plenitude do imaginário. (J.S.)


segunda-feira, 3 de junho de 2013

AGENDA VISUALIZADA

Ronaldo Linhares






Fotos de Terezinha Dias

E AGORA, JOSÉ?

Xilogravura de Chico Marinho


DIGRESSÕES

Por Jayro Schmidt,
a Silveira de Souza



Caro Einstein,

Circunstâncias relativas acabaram me afastando do país que te abrigou, cujos detalhes não gostaria de comentar agora, impedindo-me de voltar a conversar contigo. Talvez tenhamos outra oportunidade, à beira de qualquer lago como gostas, de continuar o papo sobre mística, que geralmente parece expor o cientista fora de sua esfera.
Não me surpreendo com tua ousadia sobre esse sentimento cósmico porque, ao fazer uma análise de tua língua com finalidades artísticas, pensei que no futuro ela poderá servir para estudos mais significantes acerca de tua personalidade que está a cinquenta anos luz à frente de nosso tempo por estar, ao mesmo tempo, no sentido contrário.
Deguste o efeito que essa frase surte que, em grande parte, devo à tua forma de escrever. Nunca vi tanta clareza dita por quem lida com tantas coisas obscuras. Talvez por isso a luminosidade é para nós, apenas mortais, a trajetória de qualquer cometa, que ao se afastar da terra deixa um rastro de trevas. Cometa que se afasta da terra por vergonha, algo parecido com o que acontece com as personagens de Kafka ao se transformarem em animais.
Depois que li tuas considerações acerca da vida cósmica, fiquei convencido que sem a visão ficcional que tens de sobra, não terias formulado a teoria da relatividade, tão prática em todos os sentidos, começando com o peso, cuja potência está na massa. Peguei um pouco de argila para sentir a evidência de tuas conclusões. Ao apalpá-la, esmagando-a até, recordei meus estudos centrados em uma das premissas da lógica: tudo o que pode ser pensado é possível.
Se não fosse tua mente ficcional, assim como a de quem tanto estimas, Freud, o mundo teria parado de girar fora dos eixos. Sei que me entendes, pois isso não é somente uma metáfora. Se fosse, nem a ficção propriamente dita chegaria aonde chegou graças a algumas mentes preciosas como a de Kafka. Ouso dizer, sem desmerecer outros cérebros, que vocês são as pessoas mais importantes de nosso tempo. O que digo? Vocês são mais importantes que nosso tempo!
Não me desculpo ao ter me apropriado dessa ideia, de um mestre da luz não somente por ser cego. Ele mesmo incentiva isso, deitando por terra todas as presunções literárias. Não é bonito?
Bonito é saber, depois desses parágrafos que têm apenas o mérito das digressões, que já fui pescado por ti na pedra que lancei no lago. Não sei em que vibração fui pego, mas isso é bem pouco uma vez comparado com tua visão: nenhuma verdade se sustenta se não for, por mínima que seja, uma visão mística.
Imagino que isso esteja nas entrelinhas de tua língua, quero dizer, do cosmos, pelo menos do ponto de vista de que todo conhecer é um acreditar.


ESSE É O VALE

Poema Sem Título de Érico Max Müller


Pintura de Caspar Friedrich


Esse é o vale e esta é a mão que o desmancha
para que ainda maior seja a identidade
entre os guardiões e os guardados.
Por muito tempo te distanciaste,
vertebrado na crônica dos parentes,
e agora ressurges um nível das noites.

Onde os anciãos cultivam velas e palavras cansadas,
onde framboezas contaminam a frágil dança dos amantes,
onde o gato continua subterrâneo, à espreita
dos que se uniram sob a proibida imagem.
Talvez aqui, a lua manchada pelos feiticeiros,
deuses percorram jardins e clavicórdios.
O vale é como o poema ou a folha – apalpados,
transmitem-nos o imponderável tremor de seu ser.

Vale, célebre vale, tanto cresceste em minha origem,
alimentando-me de silêncio e certos momentos
evocando um passado não compartilhado.
Quantas vezes será preciso cantar-te, ó vale,
até que eu fique inteiramente submerso
em teu dorso?


(Extraído de Ao corpo circunscrito, Edições Livros da Ilha, Fpolis, 1966)

SER QUE NÃO É SER

Fotografia de Márcio H. Martins
Texto de Jayro Schmidt




Ao ver a foto de Márcio H. Martins, a imagem suscitou certas analogias que contribuíram para me levar outra vez ao to be or not to be de Hamlet, que, por sua vez, me levou à raiz etimológica do termo ser, que é estar. Há alguma novidade no estar? Sabe-se que não no drama do existir de Hamlet e na condição comum, a nossa, bombardeada por incentivos cívicos, de resto obrigatórios que põem todos no risco do not to be. Ora, obrigações cívicas não faltam, mas sem que tenhamos direitos cívicos num país que a propaganda oficial habilmente ilude. Não é isso? Um país rico não é um país sem pobreza: seria rico se fosse digno.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

PONTES SÃO PARA PASSAR

Fotografias de Edson Simas*






Seja a ponte mesma, estampada na foto e na memória, para quem a teve como passagem num tempo em que a cidade ainda não havia perdido a aura, essa ponte é um fantasma. Ponte que se arrasta, espantalho do descaso, sempre adiada de um governo para outro, prática descarada de lavar as mãos que em parte é apoiada pelos votos. (J.S)


* fotografias datada em 1980.