sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O AMIGO E A FLOR

Por Jayro Schmidt


Rainer Maria Rilke


Outro dia, numa conversa amistosa sobre leitura, me perguntaram o que o livro significa para mim.
A pergunta por alguns segundos filtrou-se na mente e, por conta própria, deu a resposta: O livro é meu segredo.
A resposta não interrompeu o diálogo, mas a pessoa que fez a pergunta ficou em silêncio para saber qual o segredo, no caso o dela mesmo, o que me faz pensar no livro como o melhor amigo do homem por guardar segredos para cada um dos leitores.
Segredos são para serem guardados, embora possam ser compartilhados por outras vias que, de uma maneira ou de outra, é o que os escritores fazem quando decidem confiar às palavras os mistérios que estão no interior da cultura que parece estar toda abrigada em seu pensamento.
Sendo assim, os escritores dizem o que sentimos, mas que não sabemos exprimir. E ainda mais: os escritores vão mais longe e trazem distâncias que na realidade estão bem perto.
Se um escritor escreve um poema, digamos Rainer Maria Rilke, esta distância desaparece porque os poetas não afagam as palavras a contrapelo.
O poeta Rainer Maria Rilke, que era completamente atento a pequenas coisas secretas, uma vez quis apanhar uma flor, obtendo um ferimento de espinho. A flor era a rosa e lhe segredou um poema que diz tantas coisas que vivemos. O poema foi escrito em alemão e guarda a cada um o seu segredo.

Rosa, oh pura contradição, alegria
de ser o sono de ninguém sob tantas
pálpebras.


Nenhum comentário: